O evangelho de Marcos





O servo sofredor

Marcos não foi originariamente um dos discípulos de Cristo, embora fosse nativo de Jerusalém. A igreja primitiva nos informa que Pedro teve participação decisiva na sua evangelização e discipulado, e que eles desenvolveram laços de profunda amizade; Pedro se referia a Marcos como “meu filho Marcos” (1 Pe 5.13).

Segundo Papias (140 d.c), Marcos era o “intérprete de Pedro”. Esta proximidade permitiu que Marcos recebesse de Pedro grande parte das informações contidas no evangelho que leva o seu nome. Uma comparação entre o evangelho segundo Marcos e o sermão feito por Pedro e citado em Atos 10.34-43 sugere que este foi um resumo da vida de Jesus ao qual Marcos apresentou com maior riqueza de detalhes.

Propósito e conteúdo

Marcos escreveu este evangelho visando evangelizar e discipular os gentios, particularmente, ensinar os cristãos da igreja de Roma. Por isso Marcos se preocupa em explicar alguns costumes judaicos (Mc 7.2-4; 15.42), traduz palavras aramaicas (Mc 3.17; 5.41; 7.11-34; 15.22) e profetiza quanto à perseguição e ao martírio dos crentes. Marcos procurou preparar os cristãos durante todo o seu texto do evangelho, inspirando-os a sofrer fielmente em prol do evangelho, oferecendo-lhes como modelo a vida, o sofrimento, a morte e a ressureição de Jesus, seu Senhor.

Neste evangelho Marcos apresenta Jesus como o Filho de Deus e o Messias, o Servo sofredor. A principal característica de Jesus em Marcos é sua diligência, a marca de um bom servo. A palavra grega eutheos, traduzida várias vezes como “logo, imediatamente, no mesmo instante”, aparece quarenta e duas vezes neste livro. Assim, Marcos enfatiza a obra que Cristo realizou, focalizando a primeira metade do evangelho nos milagres de Jesus e na sua autoridade sobre doenças e demônios; descrevendo mais milagres que Mateus e Lucas (no mínimo, vinte casos distintos). A estrutura do evangelho de Marcos também demonstra a obra contínua do servo de Jeová. Ao longo da narrativa vemos Jesus realizando diversas viagens, visitando lugares como: Galiléia, Decápolis, Peréia, Judéia e Jerusalém.

No entanto, de acordo com a porção de Texto que Marcos dedica à paixão de Cristo, a morte e ressureição são suas mais importantes obras. A narrativa da última semana da vida de Cristo (11.1-16.18) ocupa cerca de três oitavos do livro. Jesus declarou abertamente que “importava que o Filho do Homem padecesse muito, e que fosse morto.” (Mc 8.31) e há numerosas referências em todo o livro de Marcos ao sofrimento como preço do discipulado.

Conclusão

Ao lermos este evangelho somos inspirados por Jesus a seguir o seu exemplo. Ele é um chamado para que a igreja seja compassiva e atuante, cumprindo sua vocação de serva debaixo do senhorio de Cristo. Vemos Jesus sendo apresentado como aquele que estende a mão para os doentes, que expele demônios, ensina nas sinagogas e anuncia o Reino de Deus. Aquele que sente compaixão da multidão e se entristece pela dureza do coração dos homens, que entrega sua vida por obediência a Deus e amor ao mundo.

Como o próprio Cristo diz, sua igreja deve fazer o mesmo, pois se alguém quer ser seu seguidor, que esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como ele morreu e o acompanhe (Mc 8.34 – NTLH).

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Discussão2 Comments

  1. Rodrigo Goncalves disse:

    Parabens, pelo artigo. Que possamos aprender com as palavras de Marcos, de que o sofrimento e a cruz (simbolo de autonegacao), fazem parte da vida do cristao. Deus abencoe a todos!

  2. Carlos Stopp disse:

    Esse dinamismo prático do evangelho segundo Marcos é motivo de refletir que o cristão enquanto discípulo tem vida dinâmica em seguir a Cristo pelo exemplo de seus seguidores, os apóstolos. Cristianismo não é vida de moleza em sombra e água fresca mas “porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós” (I Ts 1.5).

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