O Verdadeiro Avivamento





Características de um verdadeiro avivamento (1)

Entende-se melhor o conceito de avivamento no sentido corporativo, como uma obra poderosa do Espírito Santo vindo sobre grandes quantidades de pessoas ao mesmo tempo. Por meio dessa visitação divina, a preocupação com as questões espirituais se torna a paixão arrebatadora de uma multidão. Nesse sentido avivamento é o Deus vivo visitando de forma poderosa uma localidade, uma nação ou mesmo um continente. O efeito dessa ação do Espírito será a renovação dos cristãos “em espírito e verdade” (Jo 4.24), como também a conversão de incrédulos. Esse tipo de avivamento é sempre uma possibilidade para Deus, não importa quão escura for a época. (2)”

Muitas pessoas afirmam que vivemos dias de avivamento na Igreja Evangélica Brasileira. Novos templos estão sendo inaugurados, há um grande número de programas evangélicos no rádio e na televisão, além de extenso material disponível na Internet. Muitos freqüentam as reuniões e eventos organizados pelas igrejas, que, em muitos casos, crescem em número.
Mas será que podemos afirmar que vivemos um verdadeiro avivamento em nossos dias? Para respondermos a essa pergunta, precisamos conhecer algumas características essenciais de um genuíno despertamento:

 

  1. A percepção profunda da presença de Deus
  2. Em um verdadeiro avivamento as pessoas são impactadas por uma percepção clara e profunda da presença majestosa de Deus. Certamente Ele está em todo lugar, mas as Escrituras e a história da Igreja mostram que em alguns momentos Deus visita seu povo de
    uma maneira além da experiência normal, o que teólogos mais antigos chamaram de “presença divina manifesta”.

  3. A disposição incomum para ouvir a Deus
  4. Avivamentos genuínos geram uma sede profunda pela Palavra de Deus, onde tanto o interesse pela pregação quanto pela leitura pessoal das Escrituras são renovados! Neemias cap.8, texto que mostra um avivamento poderoso que veio sobre o povo de Deus, diz que o escriba Esdras leu o livro da Lei desde o raiar da manhã até o meio-dia, e que todo o povo ouvia-o com
    atenção (vs 3)!

  5. A convicção profunda do próprio pecado
  6. Como vimos, durante épocas de avivamento pessoas tornam-se profundamente conscientes da presença de Deus e de Seu caráter santo. Isso leva a uma profunda convicção do próprio pecado, à confissão e à busca de refúgio em Cristo! No mesmo texto de Neemias citado acima, Esdras e os levitas precisaram animar o povo, pois todos estavam chorando enquanto ouviam as palavras da Lei e reconheciam seus pecados (Ne 8.9)!

  7. O arrependimento sincero
  8. Além da consciência da santidade de Deus e do pecado humano, em um verdadeiro avivamento pessoas vivenciam um arrependimento sincero e abandonam pecados. Há mudança de vida e um empenho consciente por obediência a Deus. “A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação” (2 Co 7.10a).

  9. A preocupação extraordinária pelo próximo
  10. Em um genuíno derramar do Espírito de Deus, não há espaço para o egoísmo! Há sede tanto pela doutrina correta quanto pela prática correta. “Mesmo aqueles que desprezam os avivamentos tem de admitir que os despertamentos autênticos ajudam a construir hospitais, ensinam os analfabetos a ler, vestem os nus, alimentam os pobres, induzem nações inteiras a agir de maneira mais justa, e tem mesmo causado reduções generalizadas do crime e da destruição da família. Colocando isso de forma simples, há um aspecto ético claro nos avivamentos”. (3)

 

Podemos afirmar, à luz do que está exposto acima, que vivemos um verdadeiro avivamento em nossos dias? Creio que não. Certamente pessoas estão sendo alcançadas pela mensagem do evangelho, vidas estão sendo transformadas e até localidades são influenciadas pela presença de cristãos genuínos, mas isso está bem distante de um avivamento que produza mudanças em larga escala, onde os frutos correspondam aos números que são tão alegremente anunciados em nossos dias.
Esse cenário não é diferente em relação à juventude cristã. Vemos jovens que freqüentam igrejas, mas vivem uma graça barata e um evangelho sem cruz, mais preocupados em “curtir o momento” do que em serem discípulos de Cristo. E líderes que, no afã de mantê-los dentro da igreja, tem aberto as portas para o mundanismo. Existem muitos jovens crentes, mas poucos cristãos.

 

O que faremos, então? Creio que é tempo de voltarmos nossa atenção com vigor às disciplinas cristãs, como a oração, a dedicação às Escrituras e o discipulado. Creio que a ênfase no ensino das doutrinas bíblicas é fundamental, pois vivemos dias de muita confusão doutrinária. E, é claro, devemos clamar a Deus por um avivamento genuíno! Se aprouver a Deus, em sua infinita sabedoria e misericórdia conceder tal benção, contemplaremos um despertamento em que as características expostas acima estarão presentes. Como lemos no texto introdutório, esse tipo de avivamento é sempre uma possibilidade para Deus, não importa quão escura for a época!

Felipe Lydia
Juventude ICNV Freguesia
[email protected]

Notas:
(1) Esse artigo foi baseado no capítulo 5 do livro O verdadeiro avivamento,
de John Armstrong – Ed. Vida
(2) O verdadeiro avivamento – pág. 41
(3) O verdadeiro avivamento – pág. 89

Compartilhe você também!
 

Discussão2 Comments

  1. Vitor Vanzellotti disse:

    Felipe,

    O artigo ficou muito bom!

    Um abraço e fique na Paz.

  2. Sigmar Wiese disse:

    Avivamento, meu tema preferido. Gostei do Artigo! Li o livro de John Armstrong, que é muito bem fundamentado. Concordo principalmente quando diz que no Brasil precisamos, antes de um avivamento, uma verdadeira Reforma, isto é, voltar à Bíblia. É necessário deixar de lado todas as outras crendices e “evangelhos diluídos” só para encher igrejas.
    Oro por avivamento, mas não por movimentos “oba, oba”, modismos e etc.
    Deus é soberano, por isso, é Ele que visita sua igreja quando quer e da maneira que quer, mas creio que precisa haver pessoas que clamam, choram, jejuam por isso.

Envie seu comentário