A família de Isaque e Jacó





Muito embora nenhum de nós possa escolher nossas origens, tais como os pais que vão nos gerar, a família onde vamos nascer e a época e o meio onde vamos surgir, todos fazemos escolhas em nossas vidas a partir do que temos e recebemos. Não podemos justificar nossas boas ou más escolhas no que recebemos de nossos pais (ver Ezequiel cap. 18), e devemos ter em mente que nossas decisões, assim como as consequencias delas, impactam nosso futuro. Mas isso não significa que o Senhor nos abandone ou negue a sua Graça, pois Ele está continuamente disposto a nos mostrar o Caminho a ser seguido, assim como a seguir conosco nos abençoando e capacitando. Muitos filhos tomam suas decisões com base no caráter de seus pais, que são referências fortes tanto positiva quanto negativamente, e muitas vezes repetem acertos, e também erros.

Isaque não reclamou. Ele não resistiu quando estava prestes a ser sacrificado, e prontamente aceitou a esposa que outros escolheram para ele. Como Isaque, precisamos aprender a colocar a vontade de Deus acima da nossa. Assim, no capítulo 26 vemos a continuidade da vida de Isaque, que teve problemas e atitudes semelhantes às de seu pai Abraão, e que a benção de Deus permaneceu continuando por ele.

No capítulo 27 encontramos um sério problema de família, ainda comum no presente: a preferência de alguns pais por alguns filhos em prejuízo de outros, e as conseqüências de partidarismos desse tipo dentro da família.

O capítulo 28 nos mostra a intervenção divina em nossas escolhas, pois nem mesmo nossas más escolhas podem frustrar o plano divino. Esaú tenta emendar a escolha ruim que teve de casar com mulheres cananéias, o que aborreceu seus pais, para melhorar seu conceito na família casando com alguém que supostamente seria aceito pelos mesmos. Jacó teve de partir de casa e teve um encontro com Deus.

Nos capítulos 29 e 30 vemos que Jacó não desistia facilmente. Serviu com fidelidade a Labão por mais de 14 anos. O enganador sentiu o que é ser enganado. A rivalidade que uma família dividida sofre quando há maus relacionamentos internos onde vidas são construídas. E Deus abençoando por causa de Seu plano divino e fidelidade a Sua promessa enquanto trabalha a regeneração do caráter de Jacó.

Passados 20 anos, vemos no capítulo 31 um Jacó de caráter trabalhado pelas dificuldades da vida, agora sendo correto e decisivo, em meio a uma família ainda com maus costumes. Jacó teve de lidar com a intransigência de seu sogro interferindo em sua vida familiar.

O retorno a Canaã, no capítulo 32 mostra algumas peculiaridades. Os exércitos dos céus encontram Jacó para garantir-lhe a proteção prometida em Genesis 28.15 quando entrasse em Canaã. Jacó busca a reconciliação com seu irmão Esaú enquanto teme por sua família por causa do mal causado pelos erros do passado. Agoniado pelas circunstâncias, já depois de ter passado por várias experiências que fizeram Jacó FINALMENTE cair em si e se render a Deus, ele confessa não ser merecedor das bênçãos divinas. Mais tarde, lutou fisicamente com Deus e se tornou Israel, o príncipe de Deus. Embora Jacó tenha cometido muitos erros, seu trabalho intenso nos ensina como viver uma vida de serviço a Deus.

A reconciliação ocorrida no capítulo 33 permite perceber que um erro de família se repetia: o de preferências dentro da família, pois Jacó tenta preservar mais a Raquel e José do que Léia e os outros filhos. Embora Esaú tivesse falhado moralmente no passado, aqui mostra nobreza em perdoar completamente a seu irmão.

O capítulo 34 mostra problemas vividos pela família de Jacó em Canaã. A única filha é violentada e recebe uma promessa de casamento movida pela loucura da paixão. A raiva e orgulho de alguns através da vingança causa problemas para a família toda quando a situação estava quase resolvida.

Outras peculiaridades relatadas no capítulo 35 colocam o abandono aos ídolos do passado carregados pela família vinda de Harã, uma dificuldade comum no convívio de qualquer casal quando cada um vem de culturas e famílias diferentes. Perdas na vida todos sofrem em alguma etapa; algumas são encaradas como natural da vida, outras como emocionalmente inaceitáveis. Mesmo assim, perder um ente querido dói de toda forma. Aqui morre a mulher que amamentou Jacó e Esaú. Depois, Raquel, a pessoa do amor à primeira vista que Jacó continuaria amando por toda a vida, morre no parto do segundo filho. E, por fim o pai Isaque, o pai da família dividida, recebe a visita de seu filho antes de sua morte.

Ainda no capítulo 35 Israel teve de lidar com outro problema dentro da família, o incesto onde seu filho mais velho, Rúben, que se deitou com Bila, mãe de seus irmãos e mulher de seu pai Israel. Embora Jacó tenha tomado conhecimento do acontecido, e isso tenha sido depois da morte de Raquel e antes da de Isaque, deixou para dar a devida correção em outra ocasião.

Por fim, o capítulo 36 traz como retrospectiva falando agora da família de Esaú como se estruturou. Relata que Esaú prosperou e se mudou para a região do monte Seir para deixar a terra para seu irmão Jacó, como lhe havia sido dado por herança antes por seu pai. Há quem defenda que este Elifaz, descendente de Esaú de Genesis 36.11, seria um dos amigos de Jó (ver Jó 2.11).

As relações internas das famílias de Isaque e de Jacó foram de fato conturbadas. Muitas trapaças e conflitos, onde havia preferências e rejeições, defraudações e injustiças marcaram negativamente sua história com conseqüências presentes até hoje na História da humanidade.

Por fim, para fechar a leitura semanal, no Salmo 7 vemos o rei Davi cantar a Deus uma oração em confissão do sentimento de se sentir prejudicado, pedindo a justiça divina por causa das palavras do benjamita Cuxe, partidário de Saul, que o perseguia. No louvor desse salmo ele canta das razões para uma resposta divina e dos caminhos de Deus quanto aos pecados dos ímpios, e o seu fim. E no Salmo 8 o rei Davi canta da pequenez do homem diante da grandeza divina na criação, da vinda do Messias como humano recebendo poder e autoridade divinos contra o poder da vingança dos adversários, que é nossa esperança e por quem necessitamos de conversão.

Compartilhe você também!
 

Discussão1 Comment

  1. Carlos Abrahão disse:

    Estudos assim sempre me põem a refletir sobre coisas do dia-a-dia.
    Ficou bem melhor assim o texto. Gostei e aprovei!

Envie seu comentário